quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Campanhas milionárias: o leilão da miséria e da ruína em Bacabal


     Fotografia de Rogério Ouja. Lixão de Bacabal

         Desperta dessa letargia Bacabal. Reage contra essa política espúria. Teus filhos e filhas estão agrilhoados a um sistema podre, satânico, que mantém a cidade em ruínas e o povo em uma miséria desoladora, sem emprego, nem saneamento, saúde de qualidade ou transporte público. Até quando permitirás que canalhas desfilem como benfeitores, enquanto roubam, despudoradamente, o bem público? Deixe de consentir que pisoteiem nossa Constituição, como seu artigo 37 que fundamenta as gestões públicas na legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (LIMPE). Dê um basta a essas práticas politiqueiras, espúrias, nojentas, baseadas na ilegalidade, personalismo, patrimonialismo, clientelismo, obscuridade, incompetência e corrupção.

    As campanhas milionárias são a face mais nítida desse sistema político clientelista e patrimonialista que cá vigora, e contra o qual nos insurgimos. Elas irrigam a cidade de dois em dois anos, comprando ilegalmente o povo, já reduzido à miséria e desalento. A contrapartida dos milionários “caixas dois” é a colagem de adesivos em carros, ida a comícios, distribuição de santinhos ou porte de bandeiras ou, o mais trágico de tudo, a venda direta do voto. Claro que, assoladas pelo desemprego de anos e necessidades vitais mais básicas negadas, as pessoas tendem a optar não por quem está melhor preparado e é decente, mas sim por quem tem mais chance, no caso, quem gasta mais, como em um leilão. Assim, tentam, ao menos, um alento temporário em suas tragédias pessoais, almejando uma parte de cargo na prefeitura/máquina, penhorada ao vencedor do pleito eleitoral, geralmente, quem deu o maior lance no leilão da “ruína e miséria”.

Por meio dessa lógica, não estamos investindo pessoas com mandatos para gerirem a coisa pública, convencidos por seus programas de governo e ideologias, mas sim consentindo que o bem comum seja privatizado, literalmente, comprado ou “arrematado” em leilão para quem deu o maior lance usar e abusar da “res” (coisa) pública como patrimônio pessoal. Fatalmente, campanhas milionárias fortalecem nos “vencedores” e em seus patrocinadores o sentimento patrimonialista já arraigado de posse privada do bem público e só podem terminar em corrupção, com a multiplicação do valor inicialmente “investido” por meio de desvios, e na manutenção de redes de milhares de “clientes”, dependentes de cargos para seus sustentos, que são nomeados não por mérito pessoal, mas por indicação política ou troca de favores. Eis os “tentáculos do poder” em ação. Nem precisamos dizer quem é o perdedor final desse leilão da miséria e da ruína em Bacabal, que reduz as pessoas à precariedade da vida e ao silêncio face a quem torna a “res pública” um balcão de negócios e bolsa de valores.

“Mas, quem poderá nos salvar?”. Essa ontológica pergunta, imortalizada pelo programa mexicano “Chaves/Chapolin”, segue válida. Eis uma resposta, por exclusão. Não adianta nos alienarmos e dirigirmos nossas esperanças e apelos a uma Bacabal como sujeito idealizado que irá se rebelar de uma hora para outra. A cidade não é uma entidade viva, mas mero reflexo de nós mesmos, que aqui exercemos ou penhoramos nossa cidadania, definindo-se assim os rumos coletivos. Desse modo, também não adianta aguardarmos, messianicamente, algum “herói” redentor, que no fundo não passará de mais um hipócrita, populista e facínora.

Mas, sou eu, é você, somos nós que estamos lendo estas linhas, que devemos despertar dessa letargia para dar um basta a esse sistema podre, corrupto e corruptor. É só nós que podemos, desde que nos organizemos e agindo em unidade com outras pessoas comuns e honestas, que cuidam de cada centavo de suas economias domésticas, e também entenderam que devem zelar pelo dinheiro público, seja por interesses altruístas ou egoístas. Afinal, para quem não é tocado pela dor do outro, basta ponderar que se a coisa pública está gerida em conformidade com a Constituição ela poupa nossos recursos privados. É evidente que, se temos saúde pública não precisaremos das suntuosas e caras clínicas privadas. Ou nos organizamos e resistimos a essa lógica, apontando novos caminhos, ou tudo continuará o mesmo sob o sol escaldante de nossa terra, com a política da ruína e da miséria relegando ao povo a eterna dependência das migalhas que caem da mesa de banquete dos que se refestelam com a verba pública, enquanto depredam nossa res pública. São criminosos os que mantêm a cidade arruinada e a população miserabilizada, em estado de servidão e vulnerabilidade para que se entregue, de forma aparentemente voluntária, aos tentáculos do poder desses krakens para ter uma sobrevida. 

Em contrapartida, o nosso horizonte comum é uma cidade que gere emprego e renda, inclusão, igualdade e plena liberdade, restituindo a dignidade e independência política às pessoas. Desse modo, só há um caminho a seguir: união, organização e luta coletiva para elevar as consciências e, assim, garantir que as próximas gestões não serão decididas em um novo leilão. Como criada já está, agora só precisamos nos juntar e empoderar uma oposição verdadeira e sistemática a isso tudo, fundada em junho de 2019 e que, desde então, vem atuando na cidade, despertando as pessoas para o coração do problema. Finalmente, temos uma alternativa, e é coletiva, não heroica. Até então, quem se apresentou como oposição, nunca o foi de fato, pois jamais atacou as raízes nefastas do problema e reproduziu a lógica que dá início a ele: campanhas milionárias. Essa suposta oposição sempre quis preservar o funcionamento do sistema, apenas mudando quem o opera, tomando o lugar e se tornando “a situação” gestora da “máquina” com suas práticas patrimonialistas e clientelistas de espoliação sistemática dos cofres públicas.

A palavra de ordem é: Chega de clientelismo e patrimonialismo, LIMPE Bacabal. Esse modo deles triturarem vidas e sonhos não mais operará com o silenciamento generalizado, conivente e sem oposição de fato.

sábado, 21 de setembro de 2019

Você conhece os cinco princípios da gestão pública? Saia do senso comum, compreenda e “LIMPE” Bacabal


Ah se os cinco princípios da administração pública fossem conhecidos e respeitados! Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência formam o “LIMPE”, e passou da hora desses princípios vigorarem em nossa cidade. Eles constam no artigo 37 da Constituição Federal de 1988 e são, exatamente, o contrário das obscuras práticas políticas locais, cujos operadores chamamos de “krakens”. Qualquer ato de um gestor e servidor público, eleito, concursado ou nomeado, deve estar previsto em lei, ou seja, ser legal, e deve ter sempre como objetivo a finalidade pública, sem promoção ou atendimento de interesses pessoais, a exemplo da divulgação das obras e ações, que devem ter um caráter educativo, informativo e de orientação social. Eis a “legalidade” e “impessoalidade”. Na condução dos assuntos públicos também é necessário seguir padrões éticos como regra, ou o moralmente aceito (“moralidade”). A gestão também precisa ser transparente, com todos os atos tendo a devida “publicidade” para garantir o controle e a fiscalização da sociedade. É dever divulgar documentos, atos e a conduta de funcionários e magistrados. Assim, chegamos à “eficiência” necessária, com gestores e servidores devendo ter condições de cumprir suas atribuições da melhor forma possível, trazendo o melhor resultado com o menor custo e maior celeridade. Por isso, as funções públicas devem ser ocupadas por pessoas com notória qualificação e competência, e não por cabos eleitorais despreparados ou parentes.

O “LIMPE” está na base de “gestões republicanas”, orientadas pelo zelo máximo com a “res publica”, ou “coisa pública”, em oposição às gestões patrimonialistas e clientelistas, que tratam o que é de todos como bem privado. Políticos, servidores e comissionados com “espírito republicano” são meros gestores do bem comum, e não donos do poder. Representante é tão somente aquele(a) que “está em lugar de alguém”, gerindo seus interesses (no caso, a coisa pública, de todas e todos). De conhecimento do “LIMPE”, cabe-nos dar suporte a quem se baliza por tais princípios da gestão pública e auxiliar no controle e fiscalização da adequação dos atos administrativo a eles. O interesse público é o valor supremo, em detrimento do particular e contra a politicagem rasteira.

A propósito, as diferentes gestões de “krakens” governaram Bacabal ao arrepio dos cinco princípios previstos no artigo 37 da Constituição. Por aqui, independentemente do grupo gestor, a regra tem sido a ilegalidade, pessoalidade, imoralidade, obscuridade e ineficiência. Ao todo, são cerca de 4.000 tentáculos ou cargos diretamente utilizados para amarrar boa parte da população, que assim carece de independência política e tem que aceitar calada os desmandos desses seres abissais. Usam “a máquina”, gerindo o que é de todos, de forma pessoal, ilegal, inecificente e imoral, beneficiando a si, familiares, amigos, cabos eleitorais e até possíveis adversários. Secretarias e cargos são loteados em troca de apoio ainda durante as campanhas e para criar redes de clientes. É a recompensa pelo apoio dado. Dos krakens maiores, os prefeitos, aos menores, vereadores, todos se autopromovem em inaugurações ou associando atos, programas, obras e serviços a si e a outros. Resulta disso que o povo, preso nos tentáculos do poder, não tem acesso à saúde e educação de qualidade nem a saneamento ou qualquer outra atribuição do poder municipal. O grande monstro, o “sistema krakento”, engole tudo que é de todos, deixando apenas migalhas. E a (auto)censura cala o povo, que precisa garantir o pão de cada dia. É uma espécie de “servidão voluntária”, pois em nossa terra, emprego é favor político e silêncio é prudência. A falta de oportunidades, de emprego, é o principal motivo das pessoas se aproximarem desses seres e os apoiar, acabando envolvidas e presas em suas ventosas.

Para resolver o problema, não basta apostar no novo, que é velho na forma de fazer as coisas e só disputa as chaves do cofre e os cargos emanados do poder. Se o carro está estragado, é preciso consertá-lo. Não adianta ficar brigando para trocar de motorista. Precisamos é de pessoas comprometidas com a “res pública” para acabar com as práticas clientelistas e patrimonialistas, comuns aos diferentes grupos oligarquicos da política bacabalense. É imprescindível, desde já, nos organizarmos e fortalecermos as entidades coletivas de luta (movimentos e o único partido independente da cidade) e, ano que vem, elegermos vereadores independentes do grupo A ou B. Desse modo, independentemente de quem se tornar prefeito, iremos manter as contas públicas sob estrita fiscalização, fechando a torneira do mal uso e, provavelmente, corrupção.

A saída de nossa política: mais instituições comprometidas com a coisa pública e menos “fulanos” oportunistas e/ou clientelistas.  


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Democracia ou “plutocracia”? Breve diagnóstico e alternativas para as mazelas sociais de Bacabal e do Brasil




Democracia significa “poder do povo” e é nossa bandeira diária, seja em Bacabal, seja no Maranhão ou no Brasil. Mas, para se concretizar, não basta só o voto e constar na Constituição que “todo poder emana do povo”, assegurando pleitos eleitorais bianualmente. Para o “poder ser do povo” são necessários ao menos dois requisitos: representatividade de fato e que todas e todos tenham condicões dignas de vida. Primeiramente, nos espaços representativos da democracia (Congresso, assembleias, câmaras, presidência, prefeituras), os escolhidos devem, de fato, “estar no lugar de” quem os escolheu ou elegeu, defendendo os interesses do conjunto social, ou ao menos de determinada classe ou categoria. Segundo, democracia política depende da democracia econômica e social. Acesso ao voto, mas também a salário digno e a direitos humanos, como educação, moradia, transporte, cultura, lazer, saúde e emprego.
Vamos primeiro ao problema, depois às soluções. Infelizmente, temos falhado nessas duas condições. Representatividade de fato não tem sido a regra, mas a exceção dentre nossos atuais representantes. No Congresso brasileiro quem dá as cartas são as “bancadas”. Na relação Prefeitura/Câmara Municipal, em Bacabal, não há equilíbrio de poderes nem oposição de fato. Vereadores e deputados, como legislativo, têm seu poder de controle e fiscalização do executivo comprado e anulado com cargos, que servem aos legisladores para perpetuarem seus mandatos, “arranjando” lugar para seus cabos eleitorais. No tocante à democratização social, econômica e política, a maioria de nossos representantes também tem falhado. Os níveis de vida da maioria denunciam a ausência de condições efetivas para que exerçam seus direitos e deveres cidadãos, debatendo, participando, cobrando e sabendo eleger quem, de fato, representará seus interesses. Seja pela necessidade seja pela ignorância, as escolhas políticas dificilmente se relacionam com os interesses reais de quem escolhe, afinal, as campanhas são milionárias e feitas para convencer as pessoas, quando não comprá-las. Quando a miséria está difundida o voto se torna um alívio temporário, uma moeda de troca. É o sistema clientelista em ação, que legitima os mandatos patrimonialistas, com o tratamento da coisa pública como bem privado.
Considerando todas essas deficiências políticas, econômicas e sociais, ao invés de “democracia” devemos falar em “plutocracia” (ou “governo do dinheiro”), com os tentáculos do poder sempre atuantes. Afinal, são os gastos milionários que elegem a maioria das candidaturas. Em uma sociedade carente e ignorante, “demonstrar força” é pré-requisito para ser eleito, pois as pessoas precisam apostar no “cavalo favorito” e assim ter emprego para sobreviver, nem que para isso abram mão de seus direitos civis e políticos plenos, como se autocensurando. Logo, não há democracia real, mas plutocracia. Sim, é o caso de Bacabal.
Já nomeados nossos problemas, passemos às bandeiras de luta e soluções. Claro que há representantes que resistem a essa corrupção da representatividade e miséria social, e precisamos apoiá-las(os). Um exemplo é a sempre combativa bancada do PSOL no Congresso Federal, outrora oposição aos governos do PT e agora ao do PSL, que foi fundado recentemente em Bacabal. São indicativos de honestidade analisar como a política é feita no dia a dia dessas pessoas ou grupos, o custo das campanhas eleitorais, a forma como são financiadas e feitas, se com base em projetos ou promessas, com muito ou pouco recurso, voluntários ou pessoas contratadas.
Resistir é não só possível, como necessário, seja nas ruas, nas redes ou nos espaços estabelecidos de poder, cabendo a nós, sociedade civil organizada, o dever de integrar, ou ao menos apoiar grupos independentes, que representem nossos interesses no dia a dia, elevando a consciência política da população, denunciando desmandos, mobilizando as lutas ou apresentando candidaturas representativas de fato. A bandeira é radicalizar a democracia, estendendo-a e fazendo-a vigorar na política, sociedade e economia. A democracia é um projeto, uma meta a ser alcançada, que exige luta diária. Devemos partilhar esse ideal comum junto a outro, o humanismo, criticando relações sociais desiguais ou de dominação, que negam nossa liberdade e igualdade inerentes. Humanos têm o mesmo valor, o mais alto dentre todos. Indivíduos e grupos não podem transformar outros em meros meios para satisfazer suas necessidades, como acontece com a exploração do trabalho de milhões de pessoas por poucos bilionários. Deve prevalecer a justiça social, para que a solidariedade seja valor comum.
Democratizar é transformar relações de poder desiguais em relações de autoridade partilhada, eis o projeto fundamental das esquerdas. Estas, apesar de equívocos em experiências históricas, defendem teorias e práticas transformadoras, democratizadoras, que resistem à lógica perversa do neoliberalismo, que faz com que os oito sujeitos mais ricos do mundo tenham o mesmo que os três bilhões mais pobres, e que haja produção de comida suficiente para alimentar três populações mundiais, mas ainda assim um terço passe fome ou viva com insegurança alimentar. Ser de esquerda é defender uma sociedade livre e igual, alternativa às relações desiguais no campo da cultura, política, sociedade e economia, orientando-se para a satisfação das necessidades reais das pessoas e para a criação de condições para o efetivo exercício da liberdade. Como diz um sociólogo português, “socialismo é democracia radical, sem fim”, de alta intensidade, e em todos os espaços da vida e relações sociais (raciais,' de classe, familiares, sexuais, religiosas, comunitárias), conciliando-se igualdade de condições com reconhecimento das “diferença iguais”, que não criam hierarquias sociais.


sábado, 7 de setembro de 2019

Nota de repúdio à publicidade descabida e eleitoreira da Prefeitura de Bacabal desperdiçando verba pública

          Conforme o artigo 37 da Constituição Federal de 1988, as administrações públicas devem obedecer “aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”, sendo que “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social”.
Com base nesses preceitos fundamentais, e no bom senso, o PSOL Bacabal repudia, com veemência, a publicidade recente da prefeitura, que não tem nem caráter educativo, nem informativo, muito menos de orientação social, configurando completo descaso com o dinheiro público. Diante das enormes carências infraestruturais e de serviços em nossa cidade, é uma ofensa à inteligência e demandas da população gastar qualquer soma de dinheiro em publicidade descabida, como os outdoors informando a chegada do asfalto e as turnês das ambulâncias plotadas com a logo da atual gestão. A verba desperdiçada nessas ações bem poderia ter sido destinada a obras emergenciais, reparos em prédios públicos, arborização, asfaltamento, saneamento, dentre milhares de outras demandas mais relevantes do que a personalíssima divulgação da logo “Orgulho de ser bacabalense”. Basta desse  sistema clientelista e patrimonialista!







                

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Por que o crime tem fascinado nossos jovens e retirado suas vidas? Entenda as relações entre juventude, negação de direitos e violência em Bacabal



Diariamente, vêm aumentando em Bacabal os casos de violência fatal envolvendo crianças e jovens. Isso nos entristece como sociedade, mas traz torpe alegria aos programas sensacionalistas de TV que vivem da audiência criada pela tragédia alheia. Contra essa bestialização, afirmamos em alto e bom som que: Nenhuma criança nasce má ou criminosa. Queremos direitos e cultura da paz.
Sejamos sinceros: nossa juventude está sufocada, vítima de uma sistemática violação de direitos, ausência de perspectivas e descaso dos poderes públicos. Contribui para isso vivermos em uma sociedade extremamente desigual, de hiperconsumo, com valores superficiais e espetacularização constante da violência, o que aliena, deprime e rouba perspectivas de presente e futuro.  
Devemos apontar o dedo para os responsáveis últimos de nossa tragédia social (o descaso dos gestores ou “krakens”), e não para as vítimas. Na imensa maioria dos casos, o crime não é uma opção, mas justamente a falta de alternativas. É fruto da sistemática negação de direitos, como o acesso à educação de qualidade, esporte, lazer, cultura, empregabilidade e vida familiar e comunitária solidária.  
“Queremos nossos jovens vivos” é a campanha virtual do PSOL Bacabal, em defesa de melhores condições de vida e acesso aos direitos previstos no “Estatuto da Juventude” (Lei 12.852, de 2013), que tem como princípios: “promoção da autonomia e emancipação dos jovens” e valorização e fomento a sua criatividade, participação social e política. A paz é fruto da justiça.
Reivindicamos uma cidade acolhedora, de políticas públicas que ofereçam espaços de lazer, diálogo e convívio, que valorizem e integrem nossa juventude, reconhecendo nela sujeitos de “direitos universais, geracionais e singulares”, promovendo seu bem-estar e desenvolvimento integral, respeitando sua identidade e diversidade para uma vida segura, solidária e sem discriminação.  

domingo, 25 de agosto de 2019

CENSURADAS pelo Kraken!


       

    Neste final de semana, junto com entidades parceiras, estivemos dialogando com trabalhadoras de Bacabal sobre problemas nacionais e municipais. É o teto do posto de saúde que está caindo, a falta de abastecimento de água, e assim por diante. Mas, uma crítica, em especial, nos chamou muita atenção. Em reflexão anterior, já havíamos denunciado o silenciamento imposto pelo Kraken. 


       Dessa vez, a crítica veio de quem sofre diretamente com a opressão e a censura do sistema clientelista e patrimonialista mantido pelas gestões de Bacabal. As trabalhadoras, embora revoltadas, temem se manifestar publicamente e até aparecer em fotos, pois sabem que serão retaliadas com a perda de cargos, que se tornaram a única forma de sobrevivência, mesmo que precarizada. 

       Uma delas, inclusive, denunciou a subdivisão de cargos, de modo que os tentáculos do poder envolvem mais pessoas. Não se trata de problema específico de uma gestão, mas de toda essa estrutura política, que vem se mantendo desde a fundação da cidade e precisa ser abolida para garantir liberdades básicas, direitos sociais e dignidade para todas e todos. 

       Basta! As gestões, os espaços e os serviços públicos são do povo e não daqueles eleitos para nos representarem e administrarem a "coisa pública", por mais que tenham gastado milhões em suas campanhas, praticamente, comprando seus cargos de forma ilegal.



sábado, 17 de agosto de 2019

O “Kraken” e a Prefeitura: entenda a relação entre a política e o desemprego em Bacabal e ajude a construir alternativas



O que não querem que você saiba sobre a política bacabalense, ou o desemprego em massa como projeto político


Kraken é aquele monstro mitológico, que com seus enormes tentáculos envolve e afunda as embarcações. Talvez ele tenha sido imaginado com base na lula colossal, animal este que pode ultrapassar os vinte metros. Contudo, o alcance dos tentáculos desses moluscos gigantes não chega nem perto daquele da Prefeitura e da Câmara de Bacabal, que envolvem milhares de lares espalhados pela cidade. Estima-se a existência de até 4.000 cargos de indicação política em nossa cidade, que vão dos secretários aos vigias de poço nos povoados. Entre esses extremos, estão dezenas de funções e milhares de pessoas, que assim conseguem seu sustento.

Quanta generosidade, não? Até seria, acaso não houvesse uma contrapartida para estas pessoas enroladas ou comissionadas nos “tentáculos do poder”. No caso, devem apoiar, incondicionalmente, alimentar os krakens bacabalenses, que são seus “politiqueiros”. Ai de quem falar mal ou ter com o inimigo: a patrulha político-ideológica logo chega e demite.

Mas, é possível furar esse cerco, cabendo primeiro entender a lógica do Kraken, que explica como, em Bacabal, chegamos ao fundo do poço e porque e como tudo se mantém como está, após cada eleição e a alternância entre zés e joões. Conforme o desejo e projeto “krakento”, a cidade está social e economicamente estagnada, afinal, esses seres abissais se alimentam da pobreza e ignorância, e não podem deixar que suas presas prosperem, pois daí podem almejar a liberdade. Babacal não gera empregos, e muitas famílias se obrigam a se deixar envolver pelos “tentáculos do poder” de um ou outro, na esperança de um salário, nem que seja dividindo-o com outras pessoas, cada uma trabalhando uma  parte. Ou seja, enquanto a sociedade não tem emprego, a Prefeitura e Câmara acomodam milhares, desde que apoiem seus gestores, cujos longos tentáculos e ventosas afundam toda a cidade na estagnação socioeconomica. 

Nas eleições, os krakens saem das profundezas de seus gabinetes e voltam a falar bonito, emocionar, dizer que ninguém que está em suas passeatas está recebendo alguma coisa, que é tudo por ideal e que agora sim tudo irá melhorar. Pura balela que, nós, suas vítimas, precisamos nos deixar envolver para tentar um ganha pão. Ao menos, as eleições geram empregos temporários e a perspectiva de cargos futuros. Não podemos sequer dizer que, até aqui, perdemos oportunidades de erradicar esses monstros, pois mudaram alguns nos órgãos públicos, mas não o apetite insaciável dos krakens pelo poder e a forma de usar seus tentáculos sobre nós. Promessas, mais promessas. Rostos já conhecidos ou novos, mas práticas velhas, as mesmas de sempre. Nada de novo sob o sol, só buracos que aumentam, escolas que abrem cada vez mais tarde, jovens corpos assassinados se acumulando nos bairros e o atendimento na saúde cada vez mais precário. Saneamento básico? Cada vez mais uma distante miragem.

Diante desse cenário, do mais do mesmo, muitas e muitos desistiram de acompanhar as peças que se movimentam no tabuleiro político municipal, ou “krakolândia”, restringindo sua participação às eleições e à expectativa de com elas arrumar um bico. Zé daqui, João dali, coronel de acolá, um quarto que surge sabe-se lá de onde e arruma laranjas para lhe representar. Ao fim e ao cabo, reproduz-se o que todas e todos já conhecem: o toma lá dá cá, ou os envolventes “tentáculos do poder”. Certamente, o último responsável não é o povo, que necessita trabalhar e comer, mas sim os krakens, que o mantém aprisionado.

Nossos pretensos salvadores pecam, pois repetem os mesmos erros, como os que antecederam Teseu no Labirínto de Minos, que esqueciam de levar um fio para se guiar no lar do Minotauro. Mas, afinal, como derrotar esses monstros e que fio é esse? Seguramente, não é pela mesma via desses falsos heróis, derrotados de antemão, pois se filiam a qualquer partido de esquina ou de gaveta, candidatando-se e se apresentando como redentores, como se fosse a pessoa, e não a agremiação partidária que importasse. Em suas campanhas, e com nosso apoio descuidado, esses idiotas úteis ou “heróicos candidatos” só acumulam os votos suficientes para reeleger os krakens filhotes (vereadores) de sempre, que apoiam suas versões maiores para a prefeitura.

Para cortar os tentáculos do poder, o fio certo não é apostarmos em uma pessoa ou outra, mas sim em um partido coeso, independente, que não se deixe envolver. Uma agremiação que faça política no cotidiano para elevar a consciência da população e que, eleja quem eleger, esteja representado e gerindo coletivamente os mandatos, inclusive chamand o povo para decidir junto. Esse grupo precisa se fortalecer para combater os krakens. Para isso, precisa de uma sociedade consciente e organizada que entenda a lógica do poder e se sinta representada por esse partido político no sentido estrito do termo, de união em torno de um programa, e não dos interesses privados dos que o integram, como as quadrilhas que usam seus longos tentáculos para envolver e manipular quase todas as legendas partidárias da cidade, exceto o recém-fundado PSOL, pois este é mantido por autofinanciamento de seus filiados e não tem o menor interesse em sequer dialogar com krakens.

Se a exceção confirma a regra e valida o senso comum (“são todos iguais”), ao mesmo tempo ela oportuniza uma possibilidade de mudança. Se a desgraça social é gerada pelos krakens e mantida por todas e todos, sua contrapartida, a justiça social, também é uma construção coletiva, fruto do esforço comungado de muitas e muitos que têm sede de justiça. Não podemos perder a esperança e julgar sem conhecer. Até que se prove o contrário, vamos acrescentar o “quase” à sentença “são todos iguais” para não cometermos suicídio político coletivo, matando a possibilidade da mudança, daquela que botará abaixo toda essa odiosa estrutura que nos prende. Precisamos, devemos, nos organizar e lutar, ou apoiar o partido alternativo, mesmo que sigilosamente quando necessário para não sofrermos perseguições, para que vigorem também aqui os princípios da gestão pública, sendo estes o horizonte comum. Falar em impessoalidade, legalidade, transparência, eficiência e moralidade na gestão não é utopia, mas fazer a lei ser cumprida e uma possibilidade que precisamos viabilizar coletivamente ou, então, só mesmo os krakens, que ao mesmo tempo nos mantêm na miséria e alimentam os envolvidos em seus tentáculos. A hora desses seres abissais já passou. É sim possível qualificar os critérios de contratação e garantir empregos por meio de nossa livre iniciativa popular, amparada por uma prefeitura que capacite, emancipe, ao invés de envolver e prender as pessoas. É promover concursos e estimular o cooperativismo, o empreendedorismo solidário e coletivo, a qualificação profissional da população por meio de parceria com SENAI, SENAC, Associação de Comerciários, Industriários e Agricultores.

Mas, querer emancipar a população só pode ser objetivo de um partido seguro de seu programa solidário, ele próprio com vontade e independência política. A escolha é de cada uma e um. De um lado, teimar em generalizar e matar o futuro, justificar que se tudo é assim mesmo não precisa nem pode haver mudanças, e assim se alimentar da sobra dos krakens enquanto apoia a continuidade de sua política perversa, referendando campanhas milionárias e práticas clientelistas e patrimonialistas, ao custo da saúde e educação públicas e do futuro coletivo. De outro lado, a aposta ousada na conscientização e organização, pegando as rédeas do porvir em nossas mãos, tratando a política como coisa pública, com base nos princípios constitucionais de gestão. Mandemos os krakens para o abismo, assumindo essa construção e conscientização política como tarefa diária e coletiva, integrando ou apoiando o partido que revela a lógica desses seres abissais e, verdadeiramente, dispõe-se a superar seu domínio na política bacabalense, cortando os tentáculos do poder.  


NOTA AOS MOVIMENTOS E ORGANIZAÇÕES DOS PROFESSORES/AS, DO CAMPO POPULAR, INDÍGENA, QUILOMBOLA E SINDICAL DO MARANHÃO

 NOTA AOS MOVIMENTOS E ORGANIZAÇÕES DOS PROFESSORES/AS, DO CAMPO POPULAR, INDÍGENA, QUILOMBOLA E SINDICAL DO MARANHÃO     Nós, que subscreve...