sexta-feira, 24 de abril de 2020
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Manifesto “100 anos de servidão, por uma abolição definitiva”
A “política do atraso” tem como projeto a não geração de empregos, renda, desenvolvimento e justiça social. Perpetua-se a partir da miséria, tornando as pessoas privadas de outros meios de subsistência e reféns de contratos ilegais trocados por apoio político. Assim, roubam sua liberdade de opinião e expressão.
Essa forma de fazer política cria o caos, fazendo com que as pessoas se tornem totalmente dependentes dos cargos do governo municipal, o que gera censura sobre os desmandos desse governo. Essa política se sustenta em negociatas, corrupção, campanhas milionárias e desvios de verbas públicas para fins privados. Desse modo, corruptos e corruptores vão espoliando o Estado e privando a população dos serviços essenciais. É a “coisa” pública gerida como bem particular: isso se chama patrimonialismo. Portanto, não há construção nem zelo pelo bem comum, mas sua rapina.
É necessária uma emancipação definitiva, que acabe com essa forma de administração e a aceitação de campanhas milionárias sem causa, forjadas pelo marketing, vazias de ideias e de proposições. É necessário extinguir a hipocrisia, acabar com o falso civismo, de quem, publicamente, aplaude a cidade de Bacabal pelos 100 anos, promete mundos e fundos, enquanto, agindo nas sombras, saqueia os cofres públicos, ameaçando seu futuro.
Nós, do PSOL Bacabal, que estamos prestes a completar nosso primeiro ano de existência, observamos que tais práticas também se repetem nas pré-campanhas de 2020, inclusive por quem se diz de “oposição”. Com isso, debatemos a cidade e para ela redigimos um programa de governo. E assim, apresentamos nossa chapa com pessoas que desejam enfrentar essa cultura política, que se orienta por práticas patrimonialistas e clientelistas, e que se colocam à disposição da população bacabalense. São as expressões públicas do esforço comum de dezenas de pessoas que buscam alternativas dignas, enfrentando quem, de forma covarde, tenta convencer a população de que não há outro futuro possível.
Vamos retirar a política (a gestão do bem comum) das mãos de alguns poucos políticos e empresários corruptos! Vamos romper com o monopólio e malversação da res publica e dar voz e vez ao povo excluído, governando com quem até agora está de fora das políticas públicas: jovens, mulheres, camponeses, quebradeiras de coco, moradores dos bairros pobres, pequenos comerciantes, trabalhadores informais e formais, desempregados, profissionais liberais, LBGT’s, negras e negros.
Já começamos, e estamos mais fortes na construção de uma alternativa de baixo para cima. O sentido é ir das pessoas comuns organizadas para as instituições, e não o contrário: como há 100 anos é feito. Discutimos exaustivamente o que fazer e desde já anunciamos: Bartolomeu dos Santos Costa, morador do bairro estigmatizado da Trizidela, que vive na pele as dificuldades econômicas e contradições sociais dessa sociedade excludente, é o pré-candidato do PSOL à prefeitura de Bacabal!
Bartolomeu dos Santos, do PSOL Bacabal, para representar quem, conosco, quer abolir, definitivamente, essa agora centenária servidão. Liberdade, ainda que tardia, igualdade e fraternidade são os princípios de nossa futura gestão, cuja razão de ser é dar voz aos excluídos e cujo lema é LIMPE (Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência). LIMPEmos Bacabal, como determina o artigo 37 da Constituição Federal de 1988.
sábado, 11 de abril de 2020
A velha “nova política” em Bacabal: Oposição dentro do sistema ou a ele?
Em Bacabal, várias pessoas e
grupos, em plena (pré)campanha, estão se apresentando como “oposição” e representantes
de uma “nova política”? Mas, o que essas expressões querem dizer? Fazer essa
pergunta é importante nesse momento para sabermos separar o joio do trigo.
Comecemos
pela exclusão, definindo o que não é “nova política”. No caso, usar a expressão
só para angariar a revolta de uma parcela da população em
relação à corrupção quase generalizada em nossa cidade, enquanto se reproduz as práticas
das campanhas milionárias, como gastos escusos e desmedidos com publicidade e constituir
uma ampla base de apoio por meio da compra
de lideranças comunitárias e pré-candidaturas. Eis só
mais um estratagema para enganar o povo: apresentar-se como “oposição” quando
se é parte do sistema, e não alternativa a ele, querendo apenas inverter as
posições na disputa pelo poder. Portanto, uma “nova política” não pode ser apenas
mudança de nomes, mas uma alternativa ao sistema mantido pela “situação” e por
essa suposta oposição. Nada de novo sob o sol, pois ambos buscarão, em 2020, arrematar
o leilão
eleitoral milionário, agregando a base fisiológica do
oponente, já nos primeiros meses de governo. Tratando-se de alternativas dentro
do sistema, podemos até mudar a cabeça, mas será mantido o corpo e as práticas,
com as lideranças e seus vícios passando de um grupo a outro, como por meio de
vasos comunicantes.
Não surpreende que
sejam os donos desses discursos hipócritas quem mais têm se sobressaído no
momento, destacando-se
justamente por fazer a política dos milhões, exatamente igual àquela exercida
pelos velhos caciques,
há décadas,
em Bacabal. Seus
meios são as compras e promessas para garantir apoios, financiados por fundos
escusos. Assim que, até o dia 4 de abril, pré-candidaturas foram sendo
leiloadas e mudando de grupos, conforme as melhores ofertas. Desse modo, também
na pré-campanha de 2020, não tem ganhado projeção a oposição ao sistema
clientelista e patrimonialista, mas as alternativas
dentro dele. Compreensível, pois a construção do verdadeiramente novo na
política municipal demanda mais tempo e esforço triplicado, pois precisa negar as
práticas corruptas com os atalhos que criam para encurtar caminhos, pois são justamente
estes que diferenciam a oposição da mera alternativa dentro do sistema. Apostar
na segunda é frustrar, mais uma vez, esperanças de termos uma cidade e gestão,
de fato, diferentes, pois gastos milionários de campanha serão ressarcidos
tendo a caneta para nomear secretários e a chave do cofre, para o desespero de
quem precisa de serviços públicos eficazes. Nesse cenário, emprego continuará
sendo pagamento de favor político, mantendo a clientela fidelizada. Para quem
ainda não entendeu, ou não quis entender: clientelismo é essa compra ou troca
de apoios, prendendo o povo com verbas ou cabide de “empregos” (seja já ou como
promessa).
Infelizmente, definir os
grupos majoritários assim é hipótese validada, e não suposição, a julgar pela
infraestrutura de campanha e pelo exército de apoio rapidamente adquiridos. Essa
forma de disputar consciências é ilegal, imoral, corrupta e parte do sistema
que se diz combater, vindo só melhor empacotada ou fantasiada com discurso do
novo, de mudança. Ela explora as enormes necessidades materiais do povo e sufoca
o debate público, pois apoios comprados não têm suas consciências em disputa,
mas contratadas para reproduzir as linhas oficiais dos discursos. Eis a velha “nova política”, que
não objetiva a independência e autonomia das pessoas. É tamanha a discrepância
entre discurso e prática que assusta, com o primeiro se contradizendo na
segunda. Hipocrisia generalizada, mas os supostos salvadores ou projetos de
insistem em falar em nova política e aqueles cujos apoios compram fingem nada
ver.
Mas, o que nós precisamos fazer
para, de fato, viabilizarmos uma “nova política” em Bacabal, voltada à
emancipação da sociedade e construção de uma cidade decente, trazendo uma
mudança da realidade material e da mentalidade social? Primeiramente, é nos
assumirmos como oposição, integrando-a ou apoiando-a. Basta das “situações”
corruptas e corruptoras. Basta das alternativas dentro do sistema, do “mais do
mesmo”, precisamos da “oposição” a ele. Esse cuidado e trabalho de distinção é
fácil: é só observar os discursos e as práticas dos pré-candidatos. A mudança
não começará depois de vencidas as eleições, mas ainda durante as
(pré)campanhas. Gastos milionários, compras ou promessas para obter apoio
indicam a mesmice, e é justamente o que a maioria está fazendo, especialmente,
quem mais espaço vem ocupando como “oposição” e o faz, justamente, por não ser.
Estes estão a milhares de anos luz de
uma nova política.
Nós, pessoas comuns que delegamos
mandatos precisamos parar de assinar cheque em branco, ou mesmo achar que apoio
é mercadoria. Entendamos a situação e nos organizemos politicamente, lutando para
mudar a cidade e sociedade. Se os problemas políticos são coletivos, as
soluções também o são. A “nova política” só se viabilizará se assumirmos que a
mudança depende de nós, e agirmos conforme tal entendimento. Analisados criticamente
os discursos e práticas e identificadas as discrepâncias, podemos nos organizar
em uma instituição democrática e
horizontal para
fazer o enfrentamento, dar combate à politicagem, expondo as mentiras,
denunciando os crimes, buscando os meios legais, inclusive, insurgindo-nos com
candidaturas de oposição ao sistema.
Para mudar a cidade, só gerando empregos e renda, trazendo ou criando
coletivamente indústrias, incentivando a agricultura familiar, implementando políticas
públicas, aplicando os recursos em instituições e setores que sirvam ao povo nas
respectivas áreas, fazendo concursos públicos, contratando de forma objetiva e impessoal. Só dessa forma acabaremos com a
cultura política corrupta, clientelista, patrimonialista e oligárquica em
Bacabal, que prende o povo pela necessidade material, que é proposital, pois os
governantes mantêm o atraso como política oficial.
Vamos nos colocar à disposição,
nos organizar e elevar as consciências para que haja um levante popular por
essa revolução, caminhando com quem tem o desejo de ver nossa cidade crescer
econômica e socialmente e sair do mapa da corrupção. Basta de desmandos, dessa
“política do atraso”, dessa bandidagem, dessa politicagem que hipócritas
denunciam enquanto praticam. Coloquemos as mãos no arado, vamos além das falas,
das reclamações, vamos fazer alguma coisa. Vamos! Nós, cidadãos comuns,
diretamente atingidos, precisamos romper com essa “lógica”, com esse sistema de
gestão do bem público como bem privado (patrimonialismo), que mete a mão na
verba coletiva em detrimento do povo e na cara dura, como se leis não existissem.
sábado, 21 de março de 2020
Pré-campanha ou leilão de apoios políticos em Bacabal? Dando lances para comprar líderes e candidatos
Em
nossa política municipal, há dois mundos paralelos: o das essências e o das
aparências. O desejo pelo Palácio das Bacabas é o ponto comum, onde ambos se
cruzam.
No
mundo das aparências, é tudo tão democrático e limpo, que dá até gosto. Até
parece que temos opções de verdade, variações, que A é diferente de B e de C. Acompanhando
o faz de conta da politicagem, lemos, vemos ou escutamos que fulano apoiará
ciclano, beltrana apoiará beltrano. Essas são as notícias, que não param de
circular nas redes sociais. Pretendentes ao Palácio circulando fotos com
personalidades, lideranças comunitárias e pré-candidaturas a vereador,
abraçando-os e recebendo seu apoio. Ainda na superfície ou aparências, essas
lideranças sociais só pensam no bem público, dividem-se entre os concorrentes conforme
o que entendem ser o melhor para todas e todos e para a cidade em geral. Até
antigos inimigos, que mobilizaram paixões em suas disputas entre si, abraçam-se
e prometem caminhar juntos para o bem de todos. Coitado de quem se apaixonou e comprou a briga, pois agora engole sapo.
Contudo,
nos bastidores, a portas fechadas, no mundo das essências, o papo é reto,
direto e sujo. Algumas perguntas resumem essa política municipal: - Qual teu
preço irmão? E o seu irmã? Por 1.000 me apoia? E 5.000? 20.000 é nossa última
oferta ... Quantos cargos quer? O preço do passe é tanto mais alto quanto maior a influência que nossa
liderança aparenta ter. Cada um tem seu preço: pré-candidato a vereador, presidente
de associação de moradores ou de movimento social, liderança comunitária... Segue
a todo vapor essa política do andar de cima, que vem de cima para baixo, que só
chega nas pessoas na hora do pedido de voto e oferta inescrupulosa de vantagens
acaso A ou B seja eleito. Os gastos já são milionários, e nós arcaremos com
eles assim que o próximo candidato "de milhões" tomar o palácio e duplicar o
valor investido, desviando verbas públicas. Assim que, A é exatamente igual a B e C, e por isso não têm
nem vergonha de se unir, surpreendendo quem achou que havia, realmente,
diferenças. Mesmas práticas, só muda o topete. O passe das pré-candidaturas a
vereador está valorizadíssimo, dado a competição entre os grandes que disputam
as prévias de Bacabal. É lei de mercado: Quanto maior a demanda, maior o preço
que se pode cobrar para vender seu passe, e esse ano há mais de dois cavalos
grandes no páreo, logo, o valor dos líderes e (pré)candidatos está valorizadíssimo.
Eis porque tem surgido tanta associação e movimento, é ano de eleição, e é só
para valorizar o passe. Os ignorantes que se cuidem com esse episódio inicial
das campanhas milionárias, ou do “leilão da miséria e da ruína em Bacabal”. É
politicagem, é molecagem.
Em
nosso cenário de miséria geral, é fácil entender porque as coisas estão assim. Peixe
grande sabe que quem tem fome tem pressa, dizia Betinho. Política municipal,
para a maioria da população, é questão de sobrevivência. Apoiar o cavalo certo
é garantir um alívio para as agruras da vida, nem que seja por pouco tempo. É
promessa do tão sonhado emprego, que pode dignificar. É a “peixada”. Daí que,
muitas pessoas, mesmo sabendo o que é certo, preferem se calar, aguardando as
benesses do poder ou para não sofrer retaliações. A autocensura
é generalizada. Para quem tem cargo, participar de ato público independente, ou até curtir, compartilhar ou
postar coisas em redes sociais? Jamais! É muito arriscado, para si ou pessoas
próximas, a não ser que seu passe já esteja comprado, daí, é sua obrigação. Os
olhos do poder, o velho Kraken com seus tentáculos, vigiam a todos e todas. O
culpado disso tudo não é o povo que padece, mas os politiqueiros, que exploram
a miséria com sua política do atraso.
Igualmente culpados são os líderes comunitários, que os apoiam, ao invés de se
orientar pelos interesses de suas bases. Transformam representação social e
política em meio de enricar. Se você dirige associação, que prevaleça os
interesses dos associados e nãos os seus. Assim que, estamos prestes a
completar os 100: sem saúde, sem educação, sem saneamento básico, sem
segurança, sem emprego, sem dignidade. Logo, estamos sem futuro algum, acaso nossa
única possibilidade de futuro seja a repetição sem fim de nosso presente
deplorável. É necessário romper com o clientelismo e patrimonialismo já. E que vá junto o personalismo.
Felizmente,
para toda regra há exceções. Ainda há quem construa projetos políticos, quem
reúna pessoas de luta, que não têm preço, que não se vendem nem se importam se
vão ganhar ou perder, mas, sim, se vão conseguir conscientizar as pessoas,
acumular forças e organizar quem luta para transformar o deprimente estado de
coisas no qual nossa cidade se encontra. Precisamos entender o mecanismo dessa
máquina de miséria e opressão para desarticula-la. Precisamos compreender que a
saída para os problemas políticos só pode ser coletiva,
e não individualista. Precisamos nos apropriar dos instrumentos de luta, que estão
à nossa disposição. Precisamos tanto de movimentos sociais que não sejam mero
palanque quanto de uma ferramenta que acumule toda essa força social, capaz de
romper com o sistema podre. O instrumento mais potente que temos é somar forças
e nos apropriarmos de um partido democrático, horizontal, que discute tudo de
forma coletiva e transparente, que se alinha com propostas e um programa, e não
pela soma de interesses escusos. Basta também de falsos heróis, oportunistas de
plantão.
Essa
ferramenta coletiva de luta foi criada ano passado,
e se fortalece a cada dia. Para as eleições de 2020, o programa é claro. Em
Bacabal, falta tudo. Está difícil apontar ao menos uma área que esteja
resolvida. Em nosso entendimento, temos que cortar a raiz do problema
conduzindo a gestão municipal, com zelo e rigor, em conformidade com os cinco
princípios constitucionais: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e eficiência. Nossa palavra de ordem é: LIMPE Bacabal!
Esperançar, se organizar e lutar. Há alternativas e já começamos a encontrar as
rachaduras desse sistema de poder e espoliação para desmontá-lo.
segunda-feira, 9 de março de 2020
O 8 de março na Praça do Bolo
Esse dia de luta foi marcado, em
Bacabal, por uma roda de conversa, na Praça do Bolo, organizada pelo PSOL, Fórum Social de Bacabal e pelo
Movimento da Juventude Libertária. Os temas abordados: machismo, relacionamento
abusivo, violência obstétrica, e as intersecções entre gênero, classe e raça.
O diálogo foi
conduzido pela Professora da UFMA, Mayka Danielle Brito, que fez um histórico
do dia e das lutas das mulheres, com questionamentos que levaram a várias intervenções muito qualificadas das
companheiras ali presentes. Os homens souberam mais ouvir do que falar, respeitar
o momento de escuta, e todas e todos compreenderam melhor as pautas
fundamentais abordadas. “Tudo mais popular, familiar, simples...”, avalia um
dos presentes. Conforme outro testemunho: “Achei que com essa atividade
avançamos para construir uma sociedade que não se cala e nem vai se calar
diante da violência contra as mulheres.”.
Um terceiro relato destaca
... os atos
machistas cotidianos, que nem nos damos conta por termos sido criados em
sociedade assim. Tipo não cortar fala de mulher, prestar atenção ... Gostei
também por isso. Pois foi muito familiar mesmo, galera gente boa reunida. Não
teve desgaste, que às vezes rola por indelicadeza na hora de falar com
companheiros e desconstruir deslizes.
Em resumo, nas
palavras da Professora Mayka,
Foi um
espaço de debate que permitiu problematizar o próprio 8 de março, contestando questões dolorosas que
precisam ser curadas. A conscientização é o primeiro passo para romper com a
mentalidade e práticas machistas, os relacionamentos abusivos, e todo tipo de
violência contra a mulher pobre, negra, indígena e homoafetivas. Que possamos
reproduzir momentos como esse. Parabéns pela iniciativa!
A atividade também contou com música e poesia, tendo sido lida a que segue:
A organização
avaliou, positivamente, outra dimensão da atividade:
Assim vamos
ocupando espaço público, debatendo, desconstruindo essa lógica tosca da
política local de que se for pra usar espaço público tem que botar gente. Daí
obrigam, pagam, fazem presepada. Isso é ensinamento democrático que viemos
fazendo desde ano passado, até com ato que estivemos em nove na praça do
Paraíba.
Esse balanço fortalece o entendimento de que é necessário e possível consolidar uma nova cultura política na cidade, utilizando os espaços públicos, não para medir forças, mas gerar consciência.quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Violência obstétrica: basta de abusos também em Bacabal. Tratamento digno Já!
Apesar de toda a importância e
cuidado envolvidos na gestação, a violência obstétrica está mais banalizada do
que imaginamos. É um fenômeno nacional, que ocorre também em Bacabal afetando
as mulheres nos diferentes períodos da gestação, desde esta até o pré-parto,
parto e puerpério, ou em situações de abortamento. São condutas abusivas
praticadas por profissionais de saúde, como agressões verbais, físicas ou
psicológicas, que afetam a autonomia das mulheres em suas escolhas e provocam
dor desnecessária, sendo ainda uma das causas comuns de mortalidade materna e
neonatal. Ou seja, são abusivos os gritos, ameaças, supostas piadas da equipe
de saúde, além da coerção ou não consulta para a realização de procedimentos
que a gestante não deseja, como episiotomia ou introdução de ocitocina
sintética para acelerar o parto.
Em Bacabal, somente em janeiro
de 2020, registramos dois casos, um deles testemunhado diretamente por uma
psolista presente no Materno Infantil. Leia a seguir seu relato:
“Ontem passei a noite com
uma amiga no materno infantil de Bacabal. Ela estava com dores, mas ainda não
estava em trabalho de parto. Estávamos numa sala onde ficam as mulheres em
estágio de pré-parto. Lá estava uma adolescente de 15 anos, aos gritos, com uma
senhora que estava sendo paga para acompanhá-la. Essa menina gritava tanto
gente. Eu nunca tinha ouvido gritos tão desesperadores. Ela sentia algo
descendo entre as pernas. Chamamos as técnicas de enfermagem e uma veio. Ao
vir, disse: “- Não tem nada descendo. Mulher, para de gritar! Isso só vai
piorar. Eu sei que é ruim, mas não grita”. Eram duas horas da madrugada. Ou
seja: a bonitona das tapiocas queria dormir. Dissemos à jovem que, se quisesse
gritar podia gritar até não aguentar. Bom, ela continuou aos gritos e, por
volta das seis horas, estouraram a bolsa. Às 10:30 levaram ela. Estava
dilatada, mas estava assustada e com medo, não conseguia deixar as pernas
abertas para a bebê passar. Com isso, cortaram a menina (anestesiaram e fizeram
episiotomia). Daí, ao apertar a barriga dela para a criança descer (procedimento
ilegal), a menina tirou forças do inferno/céu e deu um tapa na cara de uma das
técnicas. No fim, quando estavam prestes tirar a bebê (por via vaginal) a
menina de 15 anos já não tinha forças e desmaiou. Desmaiou por falta de
paciência e empatia com o seu corpo e filha, em um procedimento extremamente
delicado e inesquecível. Estou perplexa com a falta de empatia com as
parturientes e bebês na cidade de Bacabal.”.
No outro caso, do qual
tomou conhecimento uma militante do PSOL, a parturiente, de dezesseis anos,
chegou com três centímetros de dilatação e, quando mandaram uma enfermeira
estagiária fazer um toque, ela disse que ainda estava com dois centímetros.
Tempos depois, com as dores aumentando, foi novamente solicitada a presença da
enfermeira, que avisou à acompanhante que se sua filha continuasse chamando
“toda hora”, “ela iria atender com ignorância”, pois tinha mais o que fazer.
Quando voltou, fez um exame de toque com tanta força que a paciente quase
desmaiou de dor, constatando que já estava com nove centímetros de dilatação.
De forma arbitrária, foi impedido que a mãe entrasse com sua filha na sala de
parto, sendo o procedimento realizado por estagiárias, pois o médico,
supostamente, estava na hora do seu descanso, recusando-se até em costurar a
paciente.
A situação é grave e intolerável, mas possível evitar. Para prevenir a violência obstétrica, primeiramente, devemos nos
informar a respeito (há diversos sites que falam detalhadamente sobre o assunto
e sobre parto humanizado – nosso objetivo aqui é tão somente chamar a atenção
para o problema). Precisamos, também, partilhar as informações com quem estará
presente no pré-natal e no momento do parto, quando a mulher está mais frágil
para resistir a tratamentos abusivos. Outra medida, muito útil, é elaborar um
plano de parto (há vários modelos na internet), prevendo o que a paciente
deseja ou não de procedimentos, e levar para assinatura prévia e tomada de
conhecimento dos responsáveis pelo local onde ocorrerá o nascimento.
Se você que está lendo já
passou por isso ou conhece alguém que relatou situação análoga, infelizmente,
não foi um caso isolado. Ao menos, você não está sozinha. Pode nos procurar, ou
ir diretamente à Defensoria Pública, a fim de que sejam tomadas as medidas
jurídicas cabíveis. O importante é estarmos conscientes, unidas, em movimento,
entendendo e defendendo o direito à vida, à saúde e a um tratamento digno. Não
podemos mais tolerar abusos, sendo necessário mudar a cultura que banaliza as
violações. Vem conosco, organize-se e lute!
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
Nota de repúdio ao assassinato brutal de Francisco Sales de Sousa
Sales é o terceiro, da esquerda para a direita, segurando o banner de Marielle
É com extremo horror e espanto, reunindo toda força e solidariedade dos filiados e apoiadores do partido, que o PSOL Bacabal vem a público denunciar, repudiar e execrar o assassinato, no dia 18 de dezembro de 2019, de Francisco Sales Costa de Sousa, ex-candidato a deputado federal pelo PSOL. Sales esteve em Bacabal, no dia 14 de junho de 2019, participando do ato de fundação do partido em nossa cidade.
Segundo informações, Sales foi assassinado com tiros à queima roupa, por volta das 10h da manhã, no município de Zé Doca-MA. Ele vinha publicando vídeos contra a administração municipal, defendendo uma área de proteção ambiental e denunciando as desigualdades sociais e a corrupção na região.
A violência política é inadmissível, pois enfraquece as instituições públicas e o próprio Estado democrático de direito. É urgente a descoberta e punição dos responsáveis.
Ainda nem sabemos quem mandou matar Marielle Franco e, agora, mais um militante é brutalmente assassinado. Sales perde sua vida por estar do lado dos oprimidos, denunciando os desmandos, violações e opressões.
Exigimos justiça. Exigimos o final dessas atrocidades, que não deterão nossos esforços de construção de uma sociedade livre, igualitária e solidária, pautada pelo bom, belo e justo.
Segundo informações, Sales foi assassinado com tiros à queima roupa, por volta das 10h da manhã, no município de Zé Doca-MA. Ele vinha publicando vídeos contra a administração municipal, defendendo uma área de proteção ambiental e denunciando as desigualdades sociais e a corrupção na região.
A violência política é inadmissível, pois enfraquece as instituições públicas e o próprio Estado democrático de direito. É urgente a descoberta e punição dos responsáveis.
Ainda nem sabemos quem mandou matar Marielle Franco e, agora, mais um militante é brutalmente assassinado. Sales perde sua vida por estar do lado dos oprimidos, denunciando os desmandos, violações e opressões.
Exigimos justiça. Exigimos o final dessas atrocidades, que não deterão nossos esforços de construção de uma sociedade livre, igualitária e solidária, pautada pelo bom, belo e justo.
Francisco Sales de Sousa, Marielle Franco, presentes, hoje e sempre!
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